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Meu perfil BRASIL, Sudeste, SANTA FE DO SUL, Mulher, de 20 a 25 anos, Cinema e vídeo, Livros MSN - jcarvalho122@hotmail.com |
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Tava afim de escutar, ler, assistir alguma coisa nova. Mas olho para meus livros, meus cd´s e minhas fitas procurando algo novo e vejo que já conheço tudo. Tentando olhar algo novo em mim ou nos outros, acabei trocando o dia pela noite. Fico horas olhando pro nada, pro teto, para meu tênis rasgado, vendo a hora passar. E então aparecem varias lembranças da minha infância. O quanto fui feliz, o quanto fui criança, intensa. De fugir de casa e ir jogar bola no asfalto no meio de um monte de meninos; de fumar as bitucas de cigarro da minha mãe; de roubar dinheiro da bermuda do meu visinho açougueiro; de chantagear as empregadas por estarem tendo um caso com meu pai; por aliciar sexualmente o filho do caseiro da fazenda da minha mãe; de esconder os brinquedos caros do meu primo rico; de andar a cidade inteira numa bicicleta rosa com rodinhas; de estar presente toda a semana na diretoria levando um papo cabeça com a psicóloga da escola. Acho que foi pro isso que minha me levou uma vez a uma psicóloga infantil, disseram a ela que eu era uma aluna problema. Primeiro entrei na sala pra conversar com a mulher. Enquanto eu falava ela ficava escrevendo umas coisas num papel. Não gostei de ter ido a essa psicóloga, não tinha divã, era uma cadeira preta e dura. Depois minha mãe entrou na sala e eu tive que sair. Ate hoje ela não sabe disso, mas eu escutei toda a conversa embaixo da janela do consultório. Ouvi quando minha mãe disse que achava que eu tinha algum distúrbio mental, pois não tinha um comportamento de menina. Fiquei triste por saber que minha mãe achava isso de mim. Então, a médica disse que eu era apenas hiper ativa, agitada, que eu precisava fazer outra atividade pra canalizar minha energia em excesso. Lembro que eu queria fazer natação ou aprender a tocar violão, mas ela nunca me colocou pra fazer nenhuma coisa nem outra. A minha única vantagem eram minhas notas, nunca deixei a desejar nesse ponto. Talvez porque ela nunca tenha ido de fato à escola pra saber sobre elas, sempre ia porque eu estava de castigo. Então queria que me notasse pela minha inteligência, mas acho que nunca consegui. Porém, se ela fosse uma mãe que pegasse no meu pé por causa disso, talvez eu não tivesse sido a aluna que eu fui. Acho que o dia em que senti mais orgulho de mim e eu queria que ela tivesse visto foi quando a minha professora da 4ª serie estava corrigindo um dever de casa e a minha resposta à pergunta foi a melhor da classe, até mesmo do menino considerado o CDF, que anos depois vim a ter um flerte( e ele continuava a ser aquele garoto de óculos, CDF). Não queria ter sido uma criança normal, como as outras. Ficaria extremamente frustrada em olhar pra trás e não ter feito nem a terça parte do que fiz. Aí sim, iria achar que realmente eu não era normal. Quero que meus filhos façam a mesma coisa que eu fiz. Que joguem bola na rua, que tenham seu vidro de bola de gude, sua pipa colorida, seu estilingue, seu cofre enterrado no canto do quintal, seu amigo imaginário, seu vídeo game antigo mas legal, sua coleção de figurinhas, as bombinhas de São João nos vasos dos banheiros da escola, das fugas das aulas chatas pra tomar sorvete na esquina. Assim eles não se tornarão adultos secos, controlados pelo tempo, pela rotina e pela sensação de terem sido crianças certinhas, perfeitas. Queria ter feitos tantas outras coisas, mas não pude, não deu tempo, cresci rápido. Ou foi eu que não vi o tempo passar?
Detalhinho: Minha vida tá o regasso!!!espero que ela volte ao normal. Se um homem já dá trabalho, imagine dois....
beijos