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Meu perfil BRASIL, Sudeste, SANTA FE DO SUL, Mulher, de 20 a 25 anos, Cinema e vídeo, Livros MSN - jcarvalho122@hotmail.com |
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Tirei meus livros do armário, guardei minhas fotos do mural, acendi um cigarro pra descansar enquanto o carro da mudança não chega. Deixar marcado nas paredes daquela casa onde vivi momentos felizes, tristes, confusos, insanos. Olhar pra trás e ver um pouco da minha história ali também. Agora chega os homens da mudança, recolhem meus poucos, mas amados pertences, carregam um fim e um começo. Olho pra tudo sentindo uma nostalgia funda, rasgada, e gostosa. Quantos brindes, quantas conversas, quantos amores...
Chego ao ap novo, limpinho, vazio, pronto pra ser usado. O carreto estaciona pra descarregar as coisas. Vou à sacada ver a nova paisagem que me acordará todos dias. Os livros voltam para o armário, as fotos encontram seus lugares no mural, monto meu quarto como antes. E penso: o que será da minha vida daqui por diante? O que falta para eu ser feliz? Lá em baixo vejo o carro saindo com o tênis que estava na minha mão na carroceria. Corro pelas escadas para ver se ainda o alcanço. Não consegui. Tudo bem, estava velho mesmo... Na portaria encontro uma vizinha que pergunta se sou o novo morador do 401, respondo que sim. Subo com uma música na cabeça, aquela daquele dia no barzinho. Coloco um cd no DVD e vou arrumar as coisas que faltam. Será que meus amigos já sabem que mudei hoje? Que legal, achei uma foto que tirei no meu aniversario de 22 anos dentro de uma revista, esse dia foi muito bom. Bem, acho que o resto das coisas arrumo depois. Abro a geladeira e encontro um vinho que nem sabia que estava lá. Vamos comemorar, estou na minha casa, no meu espaço, como eu sempre quis. Pego o vinho e vou pra sacada, lá fora faz um frio gostosinho. E, ao som de Across universe, uma lágrima rola em meu rosto, sozinha, calada. Uma lágrima feliz....
Detalhinho: Mais uma vez vou mudar de casa, agora vou morar mesmo sozinha. Acho que será molhor mesmo!!
Achava-me uma fonte de cultura, de informação, de sabedoria. Contentava-me com o que as pessoas achavam de mim. Achava que não precisava mais de nada. Bastava eu conhecer uma banda nova, ler um livro novo ou assistir um filme do momento, para estar na frente de todos. Ou então saber palavras difíceis e se sobrepor sobre os outros menos afortunados de cultura. Assim eu achava estar me tornado uma pessoa melhor. MENTIRA! Estava me enganando todo esse tempo.
Num belo dia, estou eu na frente do computador e encontro um amigo que a muito não via. Fiquei extremamente feliz, emocionada até, por rever alguém que fez parte da minha vida. Conversamos um bom tempo mesmo. E num dado momento me toquei do meu engano. Não precisava escutar bandas novas, comprar O código da Vinci ou entender de Marx. Bastava apenas eu refazer conceitos sobre o mundo, quebrar paradigmas, deixar de achar que o mundo conspira contra mim. Senti-me pequena perto dele, tão aquém do que eu imaginava que eu fosse. Descobri um modo mais transcendental de ver as coisas. Falar difícil, escrever bem, articular palavras? Tem um monte de gente que faz isso. Infelizmente eu me deixei acreditar nessa lambança toda. Mas uma vez ele entra na minha vida escancarando portas e janelas.
Detalhinho: É muito bom rever um amigo, e ainda por cima ele ilumina coiss que estavam escuras. Tô muito feliz!!