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Constelação das estrelas brilhantes!!

Tenho um fragmento de mim perdido numa cidade suja, mas não estou triste por sentir falta dele, e sim por ter deixado-o sozinho. Não éramos comuns, apenas éramos nós, que com um gesto e um olhar sabíamos a profundidade dos nossos riscos. Nosso hibridismo e nossas mazelas nos ligavam a cada instante de incertezas. E, por incrível que pareça, nosso refúgio do mundo eram nossos colos. Dividíamos a cerveja, o cigarro, os cd’s da Legião, os homens e as mulheres. E a única constante que existia era sabermos que éramos bem maiores que os outros, pois estávamos juntos, livres, apaixonados pelos vícios mundanos. Padrões, tabus, pudores? Nada batia na porta, tudo se tornava tão inútil perto do desejo de possui o impossuível, de tocar o intocável.  E agora estou pequena, perdi meu parceiro, meu amigo, um lado de mim tão forte. A distância faz com que os sentidos fiquem latentes. Porém, o que me conforta é saber que está no mesmo lugar que deixei. Voltarei para nosso mundo com um arco-íris gigante, mais viva que nunca, porque ele me fez assim, ele quis assim. Demos uma pausa na vida louca, mesmo que ela não mereça. Sentir um aperto funesto no peito eu sinto todos os dias. Infelizmente da saudade não conseguimos nos livrar, como fazíamos com as pessoas indesejáveis que queria fazer parte da constelação das estrelas brilhantes. Talvez porque a saudade se faça necessária, presente nos meus olhos quando uma lágrima cai no meu travesseiro. Embrulho-me com um manto de esperança e, com ventos de vaidade, embalo meus sonhos mais orgásmicos. E pela manhã sinto os primeiros raios libidinosos do sol, excitando minha pele branca.

            E assim os dias passam, com alegrias, tristezas, saudosismo e coragem. Aqui estou, por força do que chamam de destino, aqui me vejo. Graças a esse amigo que a vida me deu de presente. Fracasso? Que nada, ele me ensinou que essa palavra não existe pra nós dois. A paciência, sim, é regada todos os dias com bons vinhos. Engraçado: eu sou uma criança que quer crescer, e ele é uma criança que não vai crescer nunca. Assim espero. 

 

Detalhinho: Nil, estás sempre comigo. Nos dias de frio e calor. De amor e dor. Te amo, amigo!!! 



- Postado por: Moll flanders às 12h15 PM
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Nos Outonos da Vida

Hoje tive um sonho, sonhei coisas nas quais nunca tinha feito e, se tivesse feito mudaria toda a história da minha vida. O quarto estava frio e gostoso, como todas as noites de um longo outono. Sonhei com os carinhos que não fiz, com o beijo que não dei, com o abraço esquecido no canto do armário. Agora pago pela minha falta de sensibilidade, pelo meu engano. Assumo que não fui aquilo que deveria ter sido e isso me faz uma imensa falta.  Hoje tudo está tão próximo, porém, ao mesmo tempo tão distante. Posso fazer tudo o que eu quiser. Dormir agarradinho, acordar com beijinhos, assistir um filme juntinho, andar no frio coladinho pela madrugada. Mas não devo. Um dia isso me foi permitido, e eu não aproveitei. Tive a cama, o travesseiro, o cobertor, a metade do cigarro. E o que me restou? Apenas as desculpas delicadas para não me machucar, o sorriso de adeus de todas as noites quando sai em busca da outra, a companhia limitada pela distância dos corpos. E o que faço? Me castro com as navalhadas e as tiradas do dia-a-dia, controlo meu ciúmes e meus impulsos, meus desvarios e insanidades. Tento manter minha normalidade e meu sorriso de contentamento, escondendo minha angústia e depressão. Ah, se todas as estrelas me dessem a notícia que tanto quero ouvir... Me culpo por não ter sido mais, melhor, maior. Não sei se é um defeito meu, mas sempre olho para trás pra tentar consertar meu presente, e acabo recordando e me afundando nas minhas falsas esperanças construídas com concreto. E o que faço? Durmo em minha cama e sonho com aquilo que não posso ter...

 

Dueto - Chico Buarque e Zizi Possi

Consta nos astros
Nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio
Eu vi num espelho
Tá lá no Evangelho
Garantem os orixás
Serás o meu amor
Serás a minha paz
Consta nos autos
Nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese
Eu li num tratado
Está computado
Nos dados oficiais
Serás o meu amor
Serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário
E se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir
Em nos separar
Danem-se
Os astros, os autos, os signos
Os dogmas, os búzios, as bulas
Anúncios, tratados, ciganas
Projetos, profetas, sinopses
Espelhos, conselhos
Se dane o Evangelho
E todos os orixás
Serás o meu amor
Serás amor, a minha paz

 

Detalhinho: Estou na maior prova de autocontrole que alguém pode ter. Passar o dia inteiro fuçando um passado de momentos bons e ruins. Tentar mudar velhos hábitos para que esses momentos se repitam. Já consultei os Orixás, psicólogos, boêmios, chapados...Será que um dia...

 

beijos!!!     



- Postado por: Moll flanders às 02h45 AM
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