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Numa madrugada de Domingo II

Bem, de uns tempos pra cá as madrugadas não tem sido mais as mesmas. Hoje estamos distantes, estáticos e melancólicos. Vivemos apenas das lembranças boas que um dia tivemos. O tempo, a impaciência e a intolerância nos tragaram. Já não somos mais aquelas crianças, não sonhamos mais os mesmos sonhos. Agora vemos a madrugada passar tão afastados um do outro quanto advogados de defesa e de acusação. Não sentimos mais o cheiro e nem o gosto dos corpos um do outro.  Não existe mais a luz do poste para iluminar nossa loucura, nossa unificação. Nos tornamos saudosistas, nos segurando nas músicas, nos filmes, nas esquinas, nos hamburgues vagabundinhos. Nos limitando a apenas sermos bons amigos, irmãos. E tudo que vivemos, e tudo que sonhamos? Não sei, talvez tenha ido para um lugar distante, aonde eu ainda não posso chegar para resgatar. O que nos resta são as lembranças – às vezes até mórbidas- do que fomos nós. Dor? É um sentimento tão presente quanto meu almoço. É uma dor de dente constante. Hoje deitamos na cama e cada um vira para seu lado, fazendo o possível para um não encostar no outro. Agora jogo a toalha, dou-me por vencida, perdi a guerra. Não posso ser mais do que uma simples melhor amiga. Depois de anos de casamento vejo que estava agindo errado todo o tempo, e que a água escorria pelas minhas mãos bem lentamente a ponto de eu não sentir os pingos lavarem minhas pernas. Agora pego meu cd do Chico, vou para minha varanda e relembro o quanto é bom o gosto de amar alguém. A dor faz com que você enxerga tudo dez vezes menor. A felicidade torna-se inacessível, nos tornamos daltônicos. Depois de anos e já sentindo o peso da idade, ainda não sei que sentimento é esse que eu tenho. Uma hora eu o odeio, outra tomo um Lexotan para dormir. É o tempo!

 

Detalhinho: Essa é a continuação do 1º. Sem mais comentários.

 

beijos e até mais!!!



- Postado por: Moll flanders às 10h28 PM
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