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Numa madrugada de Domingo!

Eu fazia de tudo para dormir lá. Dizia que estava muito tarde para ir para casa. Ele não pedia, mas eu sabia que ele também queria que eu ficasse até de manhã. Na sala, ficávamos assistindo alguma coisa, e com a desculpa que estava com sono, ele ia para o quarto. Eu também não via a hora de enchê-lo de beijos, de sentir seu cheiro e seu corpo sobre o meu.

Quando eu entrava no quarto, ele fingia que estava dormindo. Não queria que eu achasse que estava me esperando. E de mansinho eu deitava na cama logo o abraçando. Sabe quando uma mulher diz que não, mas no fundo diz que sim? Suspirava querendo resistir a todo custo minhas mãos pelo seu corpo e minha boca no seu mamilo. Aí ele se entregava por inteiro, me apertando e me beijando ferozmente, enrolando meus cabelos nas suas mãos. Gostava de ver sua expressão no momento da penetração. Será que o céu vinha até nós ou íamos até ele? E com uma música ao fundo (Smashing Pumpkins ou Cardigans), eu acompanhava o seu vai e vem. Apertava seus braços com minhas mãos adormecidas, arranhava suas costas com minhas unhas curtas. E como num passo de balé, mudávamos de posição e iniciávamos novamente o ritual. Quanto mais queríamos, mais estávamos perdidos um no outro. Nosso sexo era insano, mas ao mesmo tempo calmo, silencioso, telepático. Quando nossos olhares se encontravam, era porque estávamos juntos ali, únicos, como um brinquedo Lego. O relógio parava, as luzes do poste diminuíam para deixar o quarto na penumbra. A temperatura aumentava a cada instante, mas não tínhamos um pingo de suor no corpo. E no ápice da nossa unificação, o aroma se exalava pelas paredes de madeira. Meu corpo tremia de tanto gozo que aquele momento me proporcionava. Sentia ter diversos orgasmos ao mesmo tempo. Deitava a cabeça em seu ombro, enquanto ele olhava cansado para as frestas do teto. Involuntariamente meus olhos se transbordavam de lágrimas, e eu fazendo de tudo para ele não perceber. Lágrimas de que? De felicidade, pensei. Parecia que toda a felicidade do mundo estava dentro de mim, explodindo e refletindo como um sol que acaba de nascer no horizonte. Devagar ele ia tirando minha cabeça do seu ombro e virava para outro lado, morto de cansado, só pensando em dormir. Mas já procurava meu braço para entrelaçar em seu corpo e sentir a noite inteira minha presença. Eu não queria dormir em nenhum momento. Então passava o resto da madrugada olhando aquele homem que me levava ao mais alto grau de felicidade, evitando toca-lo para que não o acordasse e me desse uma bronca. No entanto, acabava dormindo, debaixo do mesmo lençol, com os corpos colados e sem roupa. Pela manhã, a vizinha protestante acordava seus filhos aos berros para limparem a casa e fazerem a comida. E conseqüentemente me acordava. Levantava-me bem devagar, vestia minha roupa e sentava na beira da cama, observando naquele sono celestial. Como eu poderia amar tanto aquele garoto? Não sei. Nunca consegui me explicar isso. Dizem que isso não tem explicação, não é?

Descia as escadas e ia andando para minha casa. Os pássaros, os cachorros, as pessoas correndo para o trabalho, as crianças dando tchauzinho para suas mães e entrando na escola. Nos meus olhos o mundo se ampliava dez vezes o seu tamanho. A felicidade te causa isso, te deixa tão leve que você percebe cada detalhe do seu redor.

Detalhinho: Falta pouco para ele chegar em macapá. Não vejo a hora de ir para o aeroporto esperá-lo. Na verdade, não sei que sentimento é esse que eu tenho. Uma hora eu o odeio, outra eu o amo. E tem momentos que a saudade vem e te bate e te derruba. Então penso: É AMOR!

até mais



- Postado por: Moll flanders às 06h03 PM
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Pedacinho e eu!

                           

Hoje (Sábado, 03 de Abril), senti muitas saudades, de um pedaço de mim que quis ficar grandinho. Queria brincar de morar fora de casa para mostrar que o caçula da mamãe está crescendo. Este pedaço, que tantas vezes teve reumatismo, rasgadura e algumas raladas, hoje me faz pensar que tudo pode valer a pena. Pedacinho bateu o pé e disse: "Vou sair de casa!". Viajou para uma cidadezinha onde os velhinhos passam o dia vendo o movimento da rua com um matinho no canto da boca. Falo com Pedacinho sempre que posso, e quando a saudade dói feito ferrada de carapanã (bem nortista!), qualquer hora ligo. Mas eu sei como é meu Pedacinho, está triste e sozinho, pensando no quanto é duro estar fora de casa. Bem que avisei: "Por que ir para tão longe, se você tem tudo aqui?". E sem nem pensar duas vezes, Pedacinho entrou no avião morrendo de medo, já que era sua 1ª viagem. Penso se Pedacinho, em algum momento, lembrou das nossas histórias e situações. Do meu aniversário de 2002, quando fomos para a praça e acabamos tomando banho de chuva; quando voltamos pela última vez e eu cantei "Ah, se já perdemos a noção da hora...", no ouvido; no seu aniversário, onde arranjei uma fatia de bolo para cantarmos parabéns; quando assistíamos tv de madrugada e o ratinho da sua cozinha vinha nos observar; quando contávamos as moedas para irmos lanchar. Ah, esse Pedacinho..., que tantas vezes provou ser forte e viril, agora se mostra assustado e vulnerável. Queria eu poder estar lá , não deixá-lo só, não deixá-lo chorar.

Como conheci Pedacinho? Ah, foi surreal. Tinha encontrado um pedaço que eu pensava ser meu. Foi quando conheci o "meu" Pedacinho. Totalmente diferente do que ele é atualmente, Pedacinho usava umas roupas estranhas e falava esquisito. Quando me dei conta, descobri que ele era meu "Pepe". E como já dizia aquela crônica, começamos já suspensos sobre um fino fio de arame, sem regras e sem futuro. Conseguimos permanecer assim por um tempão. No entanto, Pedacinho teve uma mudança de fase, na qual não consegui acompanhá-la, e essa mudança o afastou de mim. Um dia chegou e disse que havia encontrado uma pessoa que pudesse cuidar dele melhor que eu. Quem seria essa pessoa? Ela existia? Na cabeça dele, sim. Num 1º de Abril, Pedacinho foi para outra dona, totalmente o inverso da anterior. Ficou ao lado dela durante alguns meses. E eu sempre esperando sua volta. Infelizmente, Pedacinho decidiu ir morar em outro Estado, e aí vi que ele não voltaria pra mim. Não tem problema, ele não perde por esperar. Estarei ao seu lado o mais rápido que imagina, e faremos supermercado juntos, iremos para a faculdade, pagaremos nossas contas e lavaremos roupas e pratos (acho que essa última parte vai sobrar pra mim).

Acho que nós dois precisávamos nos afastar um do outro, até mesmo para descobrirmos que somos multualistas. Em pouco tempo estarei lá na cidadezinha, irei enchê-lo de beijos e lhe direi que o amo muito. A última lembrança que tenho de Pedacinho foi quando saiu da minha casa um dia antes da sua partida. Sem dúvida, os melhores momentos que passamos juntos, depois de nos separarmos, foram as duas semanas que antecederam a viagem. E os sentidos lembram e mantém registrados cada detalhe. O cheiro, o gosto, o corpo, a beleza, tudo está guardado. É tudo que tenho.

Detalhinho: Domingo passado tive uma conversa decisiva com meu ex-namorado(que não é tão ex namorado assim). Lembramos de coisas que vivemos, situações engraçadas. Pela 1ª vez o ouvi dizer que estava com saudades de mim. Aquilo me fez acreditar que ainda era possível. Meus sentimentos já estavam desenganados, quase em coma. Agora não paro de pensar em como será a minha vida quando me mudar para São Paulo. Porém, tenho que resolver uma coisa muito importante: temos que ter no apartamento um animal de estimação. Um peixe, um passarinho, um cachorro? Estou em dúvida. Bem, qaundo eu chegar lá, decido.

Uma boa semana para todos!!!!!!!!



- Postado por: Moll flanders às 08h05 PM
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